sexta-feira, 12 de julho de 2013

Culto ao Corpo


Barriga sarada. Músculos malhados. Bíceps definidos. Alimentação balanceada. Vitaminas. Centros de estética. Incontáveis linhas de cosméticos. Clínica de Cirurgia Plástica. Até cansa falar tudo isso, que uma pessoa que se preocupe com tudo mencionado não leia. Cresce cada vez mais a preocupação extrema com o corpo e com a aparência, alguns com discurso da preocupação com a saúde, outros com a estética. 

Estamos vivendo aquilo que foi reproduzido na Grécia Antiga, o extremo da eugenia. A mídia nos bombardeia o tempo todo com imagens de pessoas com aparência "perfeita" e nós tentamos de todas as formas possíveis e mais cabulosas aderir em nós, com direito a cirurgia para troca de cor de olhos (pausa para rir). Acho que nessa busca incessante para adquirir um corpo individualizado, o individuo acaba se perdendo nas exigências do social. 

Para que buscar por um ideal inatingível? Por que toda essa necessidade em corresponder toscos padrões? Até mesmo a garotinha da novela que está com uma doença terminal e com cabelos caindo, e ainda assim impecáveis, acorda com cabelo oleoso e remela nos olhos; pois são essas "imperfeições" que compõe o verdadeiro ser humano (àquele que nos deparamos  todas as manhãs em frente ao espelho) . E quer saber de uma? Eu concordo com a frase de Honoré de Balzac: "Deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir"

domingo, 30 de junho de 2013

Por que a Comunicação é tão Difícil?

Assistindo alguns videos pelo youtube, encontrei alguns do psicólogo Flávio Gikovate e um deles me chamou a atenção, explica por que comunicar-se é tão difícil. Uma coisa eu sempre soube, escutar é muito mais fácil do que falar e no vídeo ele explica o por quê. 

Falar requer todo um cuidado para não atingir de alguma maneira a pessoa que está escutando. Algumas vezes a pessoa que te escuta não está tentando entender o que quer passar, ela somente fica elaborando contra-argumentos para "derrubar" aquilo que está sendo exposto e o que seria uma conversa, passa a ser um duelo. 

Sempre iremos defender o ponto de vista que achamos que nos favorece e às vezes, defendê-lo tão fielmente acaba permitindo que não vejamos outros pontos e nesse momento você perde a oportunidade de escutar coisas interessantes, que poderia te ajudar no cotidiano ou te melhorar como pessoa. Ideia boa não tem dono, se ao ler esse texto e assistir o vídeo e achar construtivo, coloque no lugar daquela opinião arraigada que sempre teve.

Confira o vídeo abaixo:

sábado, 29 de junho de 2013

Reencontro


Entre uma prateleira de discos e filmes, te reencontrei. Você me ofereceu um sorriso cauteloso e me fez lembrar dos tempos em que ele fazia parte da minha rotina, fez eu pensar que eu teria amado você, mesmo com seu mau humor matinal e respostas monossilábicas. Eu teria amado você quando fugisse de mim com medo do incerto e até mesmo quando voltasse, sabendo que pelo menos uma porçãozinha de mim levou consigo.

Eu teria amado você nos momentos de silêncio. De seis da manhã até na hora de dormir e até mesmo nos meus sonhos. 

Eu teria amado você quando dissesse que não me amava. Nos momentos que agia como um "coveiro" desenterrando coisas desnecessárias e jogando tudo em minha cara. Eu te perdoaria. Por que eu teria amado você até quando me magoasse. Se você não tivesse ido, eu poderia ter amado você. E teria deixado de fingir que, em silêncio, mesmo sem você nunca ter ficado, eu amei você sempre. 

Gente Detergente




Quem já lavou louças, (e também quem nunca lavou) sabe da eficiência do detergente. A água sozinha não tira a sujerinha gordurosa das vasilhas. Mas, basta um pouquinho de detergente na espoja, e o problema é solucionado. Agora sim a água consegue mandar sujeira "ralo a baixo". Isso tudo se deve a característica molecular do composto mais fundamental do detergente: anfipatia. A anfipatia, em uma dada molécula, é uma qualidade que possibilita a ela uma dupla "simpatia", ou seja, capacidade de solubilizar tanto compostos polares, quanto os apolares. Trocando em miúdos, o detergente vai pode se "unir" com água (polar) e também com a matéria gordurosa da vasilha (apolar).

Seria uma boa pedida a existência da anfipatia entre as nossas relações socias. Ter pessoas que promovam a integração âmbitos distintos, que só podem ter eficácia quando agem em conjunto, colaboraria para que pelo menos alguns dos problemas sociais atuais fosse solucionados. 
Precisamos de mais gente detergente. Precisamos de mais gente que tenham consciência da existência de gente diferente. Gente detergente não promove a limpeza necessária sozinhas, elas sabem que precisam de água limpa, mas não têm medo do contato com a sujeira. Gente detergente não aspira limpeza, elas atuam para que ocorra a limpeza.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Divergências

Já dizia Maquiável que os fins justificam os meios. Mas até quando uma ação realizada é adequada para atingir um objetivo? Quando se trata de atingir a lealdade, por exemplo, é relevante fazer uso da deslealdade como mecanismo de movimentação a fim de se chegar até a lealdade? Será que durante a busca incessante pela felicidade, vale á pena abusar do uso das atitudes egoístas que promovem a infelicidade do outro? É correto ser injusto no combate à injustiça? É lógico usar armas de fogo para “pacificar”? Pode-se descobrir encobrindo dos outros? Dá para encarar a ideia de enriquecer produzindo a miséria como dejeto? E o favorecimento de uma parcela de pessoas em função do desfavorecimento doutra? Pode? Vale tudo?

Talvez os fins não justifiquem os meios. Os meios refletem o fim.





quinta-feira, 27 de junho de 2013

Fotografia



Revirei minhas coisas à procura de minha echarpe predileta, fazia tempo que não a usava, resolvi procurar na parte superior do guarda-roupa e junto com ela veio uma fotografia que pousou em meus pés. Pesquei-a e deparei comigo e com outra pessoa, sabia bem de quem se tratava, conheceria aquela pessoa até mesmo de costas; cabelos pretos macios, olhos castanhos amarelados que emanavam confiança e sorriso genuíno. Lembro-me de estar muito feliz naquele dia, estávamos sorrindo, com os cabelos bagunçados pelo vento, ele abraçando-me pela cintura fazendo cócegas. Não consegui conter um sorriso bobo com a lembrança. Naquele momento, parada no quarto com a fotografia em mãos, um sentimento de nostalgia entorpeceu todo meu corpo, não que eu fizesse o tipo infeliz, mas há coisas que acontecem que te marcam tanto, que dá uma vontade de apertar um “botão” de voltar e reviver todos os momentos que quiséssemos. As lembranças retumbavam em minha cabeça, apesar das lembranças serem singelas, criaram certo desconforto em mim. Eu não era a mesma pessoa, não tinha os mesmos anseios que aquela na imagem, embora ser a mesma fisicamente. O telefone tocou, me tirando do transe em que estava, guardei a fotografia, deixando os laços invisíveis que se encontrava impregnado nela, fechei o guarda-roupa, coloquei minha echarpe e voltei para minha rotina.